Como transformar clientes em defensores que vendem por você

Como transformar clientes em defensores que vendem por você

Advocacy não se exige. Se ganha.

Um defensor fala positivamente, compartilha resultados, aceita indicações, participa de cases, ajuda outros usuários, dá feedback e contribui pra comunidade. Nada disso pode ser exigido. Tudo pode ser ganho.

O livro chama advocacy de forma mais alta do relacionamento com o cliente. É a forma que produz o menor churn, a maior expansão e o maior volume de negócio novo. O cliente que é defensor é o que tem mais chance de ficar, mais chance de comprar mais, e mais chance de trazer os pares.

Advocacy é raro. A maioria dos clientes está satisfeita. Alguns são leais. Um número pequeno é defensor. Os fornecedores que constroem advocacy constroem de propósito, ao longo de anos, por meio de uma sequência de pequenas ações que compõem.

A escada do advocacy

A escada do advocacy tem 5 degraus. O cliente sobe a escada por meio de uma sequência de experiências. A subida não é forçada. É função do valor que o cliente experimenta e do relacionamento que tem com o fornecedor.

O primeiro degrau é a satisfação. A experiência do cliente atendeu às expectativas. Não está insatisfeito. Também não está engajado. Satisfação é o piso, não o objetivo.

O segundo degrau é a lealdade. O cliente tem preferência pelo fornecedor sobre alternativas. Está disposto a renovar, expandir e recomendar. Lealdade é o objetivo do programa de renovação. A maioria dos clientes para na lealdade, e a maioria dos fornecedores fica feliz com lealdade.

O terceiro degrau é a participação. O cliente está se engajando com o fornecedor além do contrato. Está indo a eventos, entrando em grupos de usuário, dando feedback, participando de programa beta. Participação é função do interesse do cliente no produto, e da capacidade do fornecedor de tornar a participação valiosa.

O quarto degrau é a promoção. O cliente está promovendo ativamente o fornecedor pra própria rede. Fazendo indicações orgânicas, palestrando em eventos, escrevendo cases, postando em rede social. Promoção é o que a maioria dos fornecedores tenta incentivar. É o que a maioria dos programas de incentivo destrói.

O quinto degrau é a advocacy. O cliente está associando a própria reputação ao fornecedor. Os pares do cliente sabem que ele é cliente. O cliente defende o fornecedor em conversas do setor. Contribui pro roadmap de produto. É parceiro, não cliente. Advocacy é raro, e é o degrau que produz mais valor.

O que move o cliente pra cima da escada

Três coisas movem o cliente pra cima.

A primeira é valor. O cliente precisa experimentar valor que excede expectativas. O valor não é funcionalidade. É resultado de negócio. O cliente precisa ser capaz de articular o valor, na própria linguagem, pra própria liderança. Valor é a fundação de todo degrau subsequente.

A segunda é relacionamento. O cliente precisa ter relacionamento com uma pessoa específica dentro da organização fornecedora. Não é o vendedor. Não é o agente de suporte. É uma pessoa específica, com nome, com agenda, cujo trabalho é fazer o cliente ter sucesso. Relacionamento é o que faz o cliente se sentir parceiro, não número.

A terceira é comunidade. O cliente precisa estar conectado a outros clientes. Comunidade não é fórum. É uma série de eventos, grupos de usuário, advisory boards e conversas entre pares. Comunidade é o que faz o cliente se sentir parte de um movimento, não de um contrato.

As três coisas não são independentes. Valor é o que torna o relacionamento significativo. Relacionamento é o que torna a comunidade pessoal. Comunidade é o que torna o valor compartilhado. Os fornecedores que fazem as três constroem advocacy. Os que fazem uma ou duas constroem lealdade, e param.

O programa de advocacy

O programa de advocacy é a estrutura formal que sustenta a escada. É opt-in, com termos claros e progressão clara. Tem quatro elementos.

O primeiro é o advisory board. Um grupo pequeno de clientes, normalmente 8 a 12, que se reúne trimestralmente com a liderança do fornecedor. Dá feedback sobre produto, estratégia e mercado. Os membros do advisory board se tornam os clientes mais engajados do portfólio.

O segundo é a comunidade de usuários. Uma série de eventos, online e presenciais, onde clientes se encontram, compartilham e aprendem. A comunidade de usuário não é evento de venda. É evento de pares, com o fornecedor como participante, não apresentador.

O terceiro é o programa de case study. Uma estrutura formal pra produzir cases, com opt-in, termos claros e aprovação clara. O case é coautoria com o cliente. É a história do cliente, contada na linguagem dele, com as métricas dele. Não é brochura do fornecedor.

O quarto é o reconhecimento do defensor. Um reconhecimento público dos clientes que subiram a escada. Não é prêmio. É um destaque no relatório anual do fornecedor, um slot de palestra no evento de usuários, ou um assento num novo advisory board. Reconhecimento é o que faz a subida parecer valiosa, não transacional.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre defensor e referência?

Referência é cliente que aceitou ser contatado por prospects. Defensor é cliente que promove ativamente o fornecedor pra rede própria sem ser pedido. Referência é formal. Defensor é orgânico. O fornecedor que constrói referência constrói banco de dados. O que constrói defensor constrói movimento.

Como medir advocacy?

Três métricas: NPS (Net Promoter Score), número de menções não solicitadas em conversas com cliente, e número de clientes que participam de atividade de advocacy (advisory board, case study, palestra). As três juntas produzem o advocacy score. O score é revisado trimestralmente, com a mesma cadência do dashboard de valor.

Qual o erro de advocacy mais comum?

Incentivar advocacy. O fornecedor oferece desconto, brinde ou reconhecimento em troca de advocacy. O incentivo transforma advocacy em transação. O defensor motivado por incentivo não é defensor. É promotor pago. A advocacy é destruída, e o programa vira centro de custo.

Quanto tempo leva pra construir advocacy?

Anos, não meses. Advocacy é resultado de entrega de valor consistente, relacionamento consistente e comunidade consistente. Os fornecedores que constroem advocacy em 6 meses estão construindo advocacy falsa, que desmorona quando o incentivo acaba. Os que constroem em 3 a 5 anos estão construindo advocacy real, que compõe.

Qual o ROI de advocacy?

O cliente defensor tem churn 5 vezes menor que a média, expansão 3 vezes maior, e indicação 10 vezes maior. O lifetime value de um defensor é 10 a 20 vezes o lifetime value de um cliente satisfeito. Os fornecedores que investem em advocacy conseguem um retorno impossível de replicar com gasto de vendas e marketing.

Conclusão

Advocacy é a forma mais alta do relacionamento com o cliente. Não se exige. Se ganha. A escada tem 5 degraus: satisfação, lealdade, participação, promoção, advocacy. As três coisas que movem o cliente pra cima são valor, relacionamento e comunidade. O programa de advocacy é a estrutura formal que sustenta a escada. Os fornecedores que constroem advocacy constroem movimento. Os que constroem movimento crescem contas 30% ao ano com 5% de churn, por anos.

Esse é o fim do livro. O próximo passo é seu.

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Sobre o autor: Reginaldo Osnildo é jornalista, professor e autor de obras sobre vendas, tecnologia e estratégias de comunicação. Seu trabalho conecta pesquisa acadêmica, experiência prática de negócios e storytelling pra entregar conhecimento claro, didático e aplicável.

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